Zuzu Angel: drama e política na dose certa

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Daianne Fernandes · Palmas, TO
10/9/2006 · 84 · 2
 

Texto de Flávio Herculano
fherculano@yahoo.com.br

De tempos em tempos, a Ditadura Militar retorna às telas do cinema nacional, como uma ferida que nunca cicatrizou e volta a pulsar. Zuzu Angel, de Sérgio Rezende, é o mais novo representante desta seara de filmes. Contudo não é apenas mais um entre tantos outros, como tenta subjulgar parte da crítica especializada. É, sim, um ótimo filme, que tem como mérito um roteiro e uma direção eficientes, somados a atuação magistral de Patrícia Pilar no papel título.

O filme retrata o período de vida em que Zuzu Angel, uma costureira de classe média, desponta no mundo da alta costura e vê as portas do mercado internacional se abrirem à sua produção. Isto, enquanto seu filho Stuart Angel Jones (Daniel Oliveira) se descobre revolucionário e vai às ruas, lutar contra pelo restabelecimento da Democracia e contra o imperialismo americano.

Zuzu faz vestidos floridos para esposas de militares enquanto Stuart vive o negror da perseguição política. O distanciamento ideológico evolui ao distanciamento físico, até que a morte nos porões da Ditadura separa, definitivamente, mãe e filho.

É a perspectiva da narração que faz de Zuzu Angel um grande filme, comovente quando poderia ser apenas panfletário. O roteiro de Marcos Bernstein e Sérgio Rezende mostra uma mulher que se vê impelida a lutar contra todo um sistema político - não por convicções pessoais, mas para ter o direito natural de sepultar o corpo do filho. E toda a aflição da personagem pode ser sentida pelo espectador, gradativamente, o que faz de Zuzu Angel um filme tenso e emocionante.

A estilista vai até as últimas conseqüências em sua luta por Justiça. Toma para si a coragem do filho e usa de todos os métodos para se fazer ouvir em meio à censura generalizada. Quando a indignação pela morte de Stuart evolui a uma consciência da repressão que assolava o Brasil, Zuzu emprega a moda como instrumento para divulgar sua indignação. As cores alegres dos vestidos que faz cedem espaço aos tons escuros; as estampas floridas são substituídas por grades e pássaros aprisionados.

Impossível não compartilhar seu choque com a realidade brasileira de então. Impossível não sentir repulsa pela frieza e arrogância dos militares, que enxergam na personagem um inimigo e nunca uma mãe em desespero. Em Zuzu Angel, política e emocional são dosados na medida certa.

Impossível também não causar estranheza a posição dos críticos negativistas. Vivemos uma democracia recente, que muitos não aprenderam a valorizar por desconhecer o que representou seu lado adverso. É válido, sim, que o cinema retorne ao tema da Ditadura; melhor ainda se em bons filmes.

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Helena Aragão
 

Oi Daianne. Percebi que você tem postado textos de outras pessoas aqui. Só para entender: é com consentimento delas, certo? Sendo assim, por que elas não se cadastram e postam os textos?

A rigor não há problema nenhum em você postar assim (contanto que tenha permissão deles). Mas seria bem mais interessante se eles se cadastrassem e pudessem responder comentários, acompanhar a repercussão... Abraço.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 8/9/2006 15:05
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Daianne Fernandes
 

Pois é.. já disse isso a eles. Publiquei porque foi um pedido, mas já falei pra se cadastrarem.
De qualquer forma, valeu pelo toque.

Daianne Fernandes · Palmas, TO 9/9/2006 11:49
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