A Capela de São Vicente ganhou fama inesperada. Na manhã de 13 de junho de 1927, com a mobilização da cidade contra o bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, a sua única torre ficou crivada de balas. E, hoje, às vésperas dos 80 anos do ataque, com a primeira derrota do cangaceiro, ainda podemos encontrar as marcas da batalha.
Esse fato integra o consciente coletivo da população e é uma marca da luta, pela liberdade, do povo mossoroense. E não é por acaso que atualmente é um sinal de bravura. Afinal, quem seria capaz de bater o pé a um bando de homens armados e fugitivos da lei, em plena década de 20 do século passado?
Mossoró foi capaz, e teve esta ousadia. Afugentou o bando, negou-lhe os 400 contos de réis, se protegeu e, ainda, retirou das mãos de Lampião dois cangaceiros: Colchete e Jararaca. Este último foi preso na Cadeia Pública, atual Museu Municipal Lauro da Escóssia e enterrado no Cemitério Público, e hoje seu túmulo é venerado porque o cangaceiro é tido como milagroso. Durante a década de 50, para relembrar o ato heróico, foi montada na cidade uma peça teatral com as principais personagens do acontecimento. Dava-se o primeiro passo para a sedimentação do teatro na cidade.
Mais ou menos 25 anos depois da primeira montagem teatral, Mossoró se vê novamente olhando para o seu passado e pensando no futuro. Em 2002, (re) surge um espetáculo que, por si só já é um belo diferencial: o cenário. De frente à capela de São Vicente, é encenado o “Chuva de Bala no País de Mossoró”, dirigido pelo renomado diretor Antônio Abujamra, e em comemoração dos 75 anos da invasão dos cangaceiros.
Devido ao sucesso alcançado no primeiro ano, e atendendo ao apelo popular, o “Chuva de Bala...” retornou no ano seguinte, 2003, sob a direção do talentoso diretor potiguar João Marcelino. E não parou mais de crescer. “Hoje é quase impossível falar do Mossoró Cidade Junina e não fazer referencia ao ‘Chuva de Bala’”, observa a produtora Toinha Lopes. Realmente, o espetáculo cresceu e ganhou uma proporção não-inimaginada, com forte destaque na mídia nacional.
O cenário do espetáculo é perfeito e atraente: o adro da Capela de São Vicente, local da batalha de 1927. As quatro mil cadeiras à disposição do público são confortáveis. Para completar o quadro, foram implementados, em 2004, dois projetos paralelos, que fortalecem o espetáculo como alternativa aos eventos da Estação das Artes.
O primeiro foi a música popular brasileira antes da encenação. No local da apresentação da saga mossoroense contra o bando de Lampião, há treze shows, um a cada dia do Chuva de Bala. São artistas locais e regionais, que prolongam seu show na rua, ao lado da Capela São Vicente, no melhor estilo voz e violão.
O outro projeto é a criação da cidadela. Uma réplica de dez casas de Mossoró da década de 20. Uma mescla de cenografia e recriação. Cinco dessas casas funcionam durante os 13 dias de apresentação. O Sebo, uma bodega de comidas típicas juninas, tapiocas, sarapatel e pirão. Um bar com as diversas marcas da cachaça nordestina e uma loja de biscuit, souvenir e artesanato, tudo com motivos do cangaço. As demais casas integram o cenário da cidadela. Há o xilindró, nome popular da cadeia pública, banheiro de ‘hômi’ e de ‘muié’, uma igreja de Santo Antônio para as preces ao santo casamenteiro, uma casa típica com varanda, e mais doze moldes dos principais personagens do ataque do bando de Lampião a Mossoró, para fotografias turísticas.
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