Das salas de aula para o palco. Esse foi o caminho de Hipo-teses para o corpo ou como se agarra o mundo com uma mordida, espetáculo de dança contemporânea, que será conferido na próxima quarta e quinta-feira, no teatro Ademir Rosa – CIC, na capital.
O projeto teve início na disciplina de Encenação do curso de licenciatura em artes cênicas, na UDESC/Centro de Artes. Foi coreografado pelo jovem ator e bailarino, Volmir Cordeiro, vencedor do prêmio Klauss Vianna - FUNARTE de incentivo a dança no ano passado.
Durante a apresentação, três homens em cena brincam com o olhar do espectador subvertendo expectativas que vão desde brincadeiras infantis a momentos de fragilidade e melancolia. O humor ganha vez no único corpo feminino em cena, que junto com outros elementos como frutas e colchões, exercitam o corpo que dança e sua organização em cena.
Hipo-tese reforça o corpo em estado de suposição e de levantamento de frágeis pensamentos, aptos a confirmações e/ou probabilidades refutáveis. As suposições emitidas ao corpo, partiram de fragmentos da obra A Poética do Devaneio (1961), do filósofo francês Gaston Bachelard (1884-1962).
“A partir deles, uma metáfora encadeadora é construída, primando pela vontade de morder, de se permitir ser mordido, de devorar e devorar-se, de suaves entregas a condições de desespero e diagnóstico e conforto e apego-desapego e sono e preguiça”, afirma o coreógrafo e intérprete.
A disciplina possibilitou um espaço de pesquisa e de experimentação, que não cessou após o semestre. Com a chegada do prêmio os ensaios continuaram e o espetáculo pode ser aprimorado. “Trata-se de uma hipo-tese para mim embasada em um exercício como diretor, que organiza a dança na cena, de um trabalho que tenta se colocar, com modéstia, em um campo ainda em estado de descoberta e aprendizado”, explica Volmir.
Brígida Miranda, orientadora da disciplina que deu início ao trabalho, afirma que “Volmir escolheu bem seus atores-bailarinos, assim como os elementos a serem abraçados, amassados, torcidos, mordidos”.
Neste percurso de investigação, outras hipóteses podem ser levantadas pelos espectadores, tanto no que confere a procedimentos artísticos para atores-bailarinos como para compartilhar de poéticas de encontro, invasão e outros conteúdos abordados pelo espetáculo.
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