20 de Novembro e o brilho das estrelas conscientes

REDES SOCIAIS
Estrelas da Consciência Negra do cotidiano
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Wanessa B Santos · Salvador, BA
20/11/2020 · 0 · 0
 

19 horas, de 20 de novembro de 2020, aguardou-se o céu ficar negro para descrever o brilho de uma constelação de estrelas humanas, todas negras, todas potentes, todas poderosas. Nesta toada, antes de admirarmos o brilho de cada um destes seres celestiais e extraordinários, destaca-se a necessidade de enaltecer a resistente data celebrativa.

Chega-se a mais um vinte da consciência, mais uma data máxima de reflexão que ao nascer do sol, grita: Dignidade, força, respeito! Há, diante de tantos descalabros históricos contínuos, a emergência de repensar como a sociedade vem “respeitando”, ainda nos dias atuais, os irmãos de cor de pele linda e preta, como quem vos escreve, com você, e todos os mais que possuem o tom de ébano na flor da tez.

Necessariamente, é urgente tomar ciência da maneira de entender e agir mediante o estruturante racismo, ainda existente e violento. Cumpre salientar que racismo é crime na forma da lei, vide o art.140 do Códex Penal Brasileiro. Tanto mais, racismo é vergonha. Vergonha para quem pratica, para quem subjuga outro ser humano, sem razão, tornando evidente o quão vil e ignorante é.

É inegável que a sociedade moderna, historicamente, negou aos negros a condição de humanos. O negro escravizado, foi tratado como animal outrora como coisa. O período, em comento, faz doer a carne, pois nas palavras de Ávila Vasconcelos, “ a escravidão, contemporânea ou moderna, foi sempre um fenômeno de degradação da pessoa humana, da redução do ser humano à condição de mera força de trabalho, alienada de seus familiares, de seu espaço, de sua autonomia, de sua liberdade e de sua dignidade enquanto ente humano”, nos ensina.

Por tais razões, hoje é dia de ementar Steve Biko, líder do Movimento Consciência Negra, Nelson Mandela, e, principalmente, Zumbi dos Palmares, mas, não podemos deixar de homenagear aqueles, que habitam nosso cotidiano. Existem, pessoas que fazem parte de um grupo genuíno de gente que sacode o mundo. Celebridades, menos populares, mas que constroem um universo de saber, de luta e de representatividade, portanto, é essencial e vital conhecer e aplaudir:

1. Juarez Matias
Baiano de Acajutiba, é fotografo, pai e um verdadeiro conhecedor de arte e cultura. Juarez, utiliza luz, amor, consciência política e muito talento para compor fotos que são retratos do cotidiano brasileiro, principalmente da ambiência baiana.
“Bad Wolf” é feroz na sua genialidade poética de transformar foto em manifestos inteligentes sobre as desigualdades sociais. Juarez Matias é um gigante do fotojornalismo, e da foto artística da Bahia, aliás, do Brasil se não for do mundo.


2. Juracy dos Anjos
Menino da Bahia que Deus deu um santo protetor e inspirador na arte de comunicar. Jornalista, que bastante jovem fora editor-chefe de redação, o menino-Deus é uma metralhadora ambulante de provocações inteligentes. Comunicador-nato e defensor dos direitos LGBTQI+, ‘Jura’, é um ser humano imensamente humano. Dono de um coração Puro e destemido, teve início de sua carreira como estagiário das páginas educacionais do Folha Dirigida. O príncipe das letras é o marido devotado de Nilson Sales, um outro alguém, muito do bem.

3. Valdomiro Miranda

Ele é pianista. É professor, educador musical e recém-formado em Direito. Um jovem cujo discurso é sempre voltado para a defesa da educação, desde a sua luta laboral diária até a sua defesa de TCC. Excelente observador das análises inerentes ao Direito Constitucional e também no Direito Internacional. Para além dessas habilidades, é generoso, devotado a esposa e aos pais. Um amigo para qualquer momento. Um ser humano diferenciado.

4. Hosit Sales Maximus
Produtor musical, cantor, compositor, professor de Educação Física, uma perola negra oriunda dos becos e guetos da Liberdade, Salvador-Bahia. A música de Hosit é forte, faz derreter qualquer discurso de ódio. Hosit sangra pelas escadarias da antiga Linha 8, com uma consciência política tenaz.
Uma voz que ecoa e faz carinho nos irmãos de pele preta. Do Reggae ao Axé, o também educador, é um protesto ambulante, vez que transpira igualdade por todos os poros que cantam, por assim dizer, Liberdade. Hosit é paz e musicalidade.

5. Mari Virgens Lima
Ela é sol, aliás, um verão inteiro num sorriso de menina que encontra a paz num corpo de mulher. O corpo de Mariana toca a sua alma com movimentos que elevam você a um lugar de pensamento sobre dignidade. Mari, é comunicadora. Mari é arte-educadora. Mari é professora. Mari é encenadora. Mari é uma menina-mulher, uma criança alegre, com discurso adulto e atitude de uma mulher-preta.
Mari é um desenho divino. Mari é uma defesa de mulher. Mari é ser mulher. Mari é uma essência e não uma sentença. Mari é Mari.

6. Edy Santos

Pojucana, Formada pela UNEB. Ela é Professora e Youtuber. Não qualquer professora. Essa educadora, tem um trabalho sensível. Ela leva a história para os seus alunos através de amor e arte. Além de educadora, dos mais pequeninos ela é contadora de histórias, no canal: Edy Contando Diferente.
Edy é uma mulher negra e linda. Uma beleza que provoca sensações. Uma mulher de força, uma mãe dedicada. Um senhora, detentora de saberes que você denota em poucas palavras.

7. Kátia Regina
A história dessa preta-rara encontra-se na degustação de um acarajé. Filha de uma baiana de acarajé, Kátia é professora, educadora, especialista em educação especial e inclusiva, também em Alfabetização e letramento, gestão escolar e mais em multifacetadas áreas ligadas ao universo da educação. Vale dizer que também é mestranda.
Acabou não, é microempresária, aos fins de semana comercializa frutas e verduras no Centro de Abastecimento de Pojuca. Então, além de educar com amor, pessoas que são amáveis e precisam do amor que só ela sabe dar, a preta-rara, ainda cuida da alimentação das pessoas, escolhendo as melhores mercadorias. Alimento é Deus, alimento é vida.
Kátia é vida, é preta, é mãe.

8. Tatiane Gonçalves
Preciosa. Tatiane Gonçalves, é dessas pessoas que nasceram para o que fazem. Desde muito jovem, empodera em gestos, comportamentos e atitudes um discurso de caridade e benevolência.
“Ajudar aos que precisam”, essa sempre foi a sua caminhada. Tati é assistente social. Tati é empreendedora, Tati faz movimentos sociais discretos. É mãe. É uma metáfora negra da palavra rainha.
São verbos praticados por essa diva: Ouvir, atender, amparar, orientar. Tatiane lida com o povo, com as dificuldades e as circunstancias frágeis das gentes mediante uma sociedade que promove fragilidades.

9. Iran Alves
O belo Iran Alves é paulista, oriundo da terra de Ana Maria Braga. Vive em Salvador-Bahia a 17 anos e é apaixonado pela cidade da Bahia, um baiano na malemolência e da exuberância. Professor de ginástica e dança, também coreografo. As aulas de Iran são voltadas para o empoderamento feminino, esta escolha vai desde as músicas até as coreografias.
O professor, desde logo, avisa que nenhuma música que macule a identidade feminina estará presente em suas aulas. “Eu somente utilizo músicas voltadas para o viés do empoderamento, não coloco músicas que degradam a imagem da mulher, trabalho com sensualidade, acredito que a mulher deve ser sensual, vulgar nunca. É trabalhar essa postura, esse alinhamento”. Iran, também dá aulas de stilleto (básico), “acredito que o ápice da autoestima da mulher é quando ela sobe no salto, equilíbrio postura, no salto a mulher se impõe”.
Ao som de Daniela Mercury, Ludimilla, e outras vozes femininas o mestre Iran, que também é advogado em formação tem um público de diversidade em suas aulas. Iran é majestoso e faz poesia enquanto dança.

10. Moisés Monteiro
Moisés Monteiro é negro. Desde pequeno, o menino oriundo da 29 de Julho, em Pojuca-Bahia, se inquietava com as desigualdades sociais, existentes. Durante uma atividade escolar evidenciava, que em Salvador de um lado havia prédios do outra casas vulneráveis. Moisés, reclamava, por que algumas pessoas outras não. Era inquieto, com as questões sociais, formou-se em Administração. Passou no Concurso Público, dividia com a mãe um comércio.
Contudo, era minoria, nos bancos acadêmicos do Curso de Direito. Era um dos cinco negros que existiam em sua turma de mais de vinte alunos. Em dado momento, sua agonia com as diferenças sociais e com os obstáculos que encontrou, o levou para a vida pública.
Eleito Vereador uma vez. Eleito vereador a segunda vez. Não foi sorte, foi luta, foi um trabalho desenvolvido, como formiguinha, enfrentando gigantes, andando caminhando, discutindo e debatendo o Direito Constitucional e Administrativo, RESPEITANDO a diversidade e, sobretudo pensando.

11. Nenga Costa (do Sindicato)
A fala dessa menina-mulher tem maciez e paciência. É uma mulher linda, deusa. A única mulher negra na Câmara de Vereadores do Município de Pojuca. Uma força gentil, delicada, diplomática e não menos potente, discreta.
Menos lacração, mais trabalho. Sutilmente empoderada, passou pela UNIFACS, é estudiosa, articulada e cuidadosa. Possui um discurso político autônomo na expressão popular que acompanha o seu pré-nome “do sindicato”.
É sempre solicita, educada. Mas é preciso conversar, chegar perto e vai ver que é uma mulher determinada, legitimamente eleita três vezes. Se existe uma falácia de que a mulher negra precisa provar dez vezes a sua capacidade, não acredite nisto, pois com elegância essa jovem vai lhe provar mil vezes,
preste atenção!

12. Junior Luzz
“ Sou eu negro lindo”. Junior, canta e encanta. Mas precisa parar para escutar não, apenas, o que ele canta, é prudente escutar o que ele diz. Cantor e eterno aprendiz, o gigante, dono de uma eloquência poderosa é defensor e militante da cultura de Salvador-Bahia.
Junior trata com tamanha responsabilidade os assuntos mais irrisórios do cotidiano e com bravura as questões sociais, vai sobe aos palcos e/ou nas redes sociais dá o seu recado. Assumidamente Preto, é ativista, faz inúmeras ações sociais que demonstram solidariedade, muitas delas o público não sabe.
Júnior é um pai dedicado e um homem pró-feminino. Cuida da mãe, da casa, do filho, da voz e das pessoas ao seu dançar ao seu cantar, ao seu inspirar.

13. Geise Santos
Toda Graça em forma de uma mulher negra linda. É redundante falar, mas ela é graciosa. Profissional da beleza, designer beauty, empresária e proprietária da marca Ateliê da Sobrancelha, ela é jovem.
Jovem e mãe. Corajosa, destemida e talentosa, a primeira frase forte que me disse foi “eu sou uma mulher livre”. Conta sem rodeios, que sua vida foi de batalhas e corre contra o tempo para dar sempre o melhor de si. Com mãos de fadas, ela estuda a beleza feminina e cuida de outras mulheres, empoderando-as e apontando sempre, para as demais o caminho da determinação e da independência.
Uma mulher bonita, que atravessa os seus dias incentivando a beleza, destacando sempre a beleza dos traços negros de uma mulher e com um lema: Padrão é o que te deixa ser livre e feliz!

14. Carla Leal
Artista. Militante LGBTQI+, percursionista, dançarina, profissional da beleza, microempresária, mãe. E a namorada como diria, Carlinhos Brown, tem namorada. Carla possui um empoderamento tenaz. Uma mulher forte e aguerrida. Diz o que pensa, fala para provocar e vai lhe fazer pensar.
O grito de resistência dessa menina preta é pautado no amor livre, sutilmente ela vai dando força a outras meninas. Ela é bela, inegavelmente uma grande mulher que chama a atenção. Usa de todos os seus artifícios femininos para romper com os padrões estruturados pelo preconceito.
Carla é mãe de menina. Carla é filha e fruto de uma sociedade que lhe disse alguns nãos, mas, que ela não ligou, foi lá e disse sim. Ela é bárbara.

15. Isis Emanoela
A grandiosidade dessa mulher é uma afronta ao patriarcado. É preciso muita, muita responsabilidade, de quem vos escreve para falar dessa mulher estonteante. Isis é: Professora. Professora de sociologia e: antirracista, antifascista e diz estar se descobrindo anticapitalista.
Engajada, politizada, batalhadora. É uma mulher imensa. Uma jovem, uma menina cheia de sonhos, que estuda, que aplica-se em ver uma sociedade mais justa e igualitária. Isis, é uma manifestação humana do bem comum. Isis que é um dos nomes de Iemanjá, traz características da energias oriundas do mar, bela, cuidadosa, leal, alegre e gosta de cuidar de gente. Isis é reluzente. Mulher linda e atraente. Menina dos olhos de quem quer aprender a caminhar por este mundo de intolerância de desigualdades.
Ebanizante e consciente é Odara!

Peguem a poeira dessas estrelas e passem nos olhos, no corpo. Exemplos de resistências, neste contexto social de genocídio contínuo, de subnotificações dos casos de racismo, injúria racial e intolerância. Estes exemplos, são apenas, alguns avanços, pois nós negros precisamos de muito mais. E para finalizar: “ Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem, ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”, lição dada por Nelson Mandela.



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