Sucessos de crítica e de público, alguns filmes contribuíram e muito para desmistificar e tornar conhecidos aspectos ligados a saúde. Para quem assistiu o filme “Melhor é Impossível” (1997) é impossível não se recordar do extravagante comportamento obsessivo-compulsivo do personagem vivido por Jack Nicholson. O cinema de Hollywood também estampou com clareza nas telas o sofrimento que o glaucoma causou ao cantor Ray Charles, em “Ray” (2005). Outro caso real é o do matemático esquizofrênico John Nash, vencedor do Prêmio Nobel, em “Uma Mente Brilhante” (2001).
Se de um lado o cinema está cheio de histórias de superação de doenças - físicas ou mentais - acompanhadas quase sempre de adjetivos como “milagre”, truques clássicos de roteiro e muito apelo sentimental, por outro o tema já rendeu premiadas obras na história da sétima arte, como “Persona” (1966), do mestre Ingmar Bergman, ou “O Homem Elefante” (1980) de David Lynch, passando por produções mais recentes como “Rain Man” (1988), “O Óleo de Lorenzo” (1992) e “O Escafandro e a Borboleta” (2008).
Fato é que, seja como tema central ou como pano de fundo, o tema saúde-doença sempre apareceu na filmografia mundial. Isso porque além de fazer o público pensar nas enfermidades de outra forma, servindo como ferramenta para a quebra de tabus e reflexão sobre valores, encarar esse assunto difícil é mais fácil quando se envolve cenário, maquiagem, trilha sonora, luzes e movimentos de câmera.
“Mais que um estado patológico, a doença pode nos mostrar uma outra dimensão humana, um estado latente no qual podemos perceber a fragilidade do ser humano”, analisa Marcelo Munhoz, um dos coordenadores do projeto Ficção Viva, que está finalizando um curta-metragem que tem como personagem central um paciente que sofre um acidente vascular cerebral.
Em “O Relógio”, ainda com nome provisório, é o objeto do título que pontua a transição do advogado Osvaldo antes e depois do derrame, momento a partir do qual em contato com uma enfermeira passa a repensar sua vida e seus valores. Para a construção do filme, a equipe do Ficção Viva realizou pesquisas de campo em hospitais e clínicas de fisioterapia, além de conversarem com médicos e pacientes.
Ficção Viva conta com o patrocínio da Petrobras Cultural para levar ao grande público, por meio de produtos audiovisuais de expressão, a pesquisa e desenvolvimento ficcional a partir de elementos documentais.
Exemplos de filmes premiados que abordam a temática da doença:
Persona (1966): Neste clássico do cinema do mestre Ingmar Bergman, uma atriz teatral de sucesso sofre uma crise emocional e emudece. Para se recuperar, parte para uma casa de campo, sob os cuidados de uma enfermeira, que a admira e tenta compreender a razão de seu silêncio. Vencedor do National Society of Film Critics Awards nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Bibi Andersson) e Melhor Diretor (Bergman).
O Homem Elefante (1980): O diretor David Lynch usa a história verdadeira da vida de John Merrick, que nasceu com uma terrível deformidade física e é explorado como atração circense até que um médico (Anthony Hopkins) descobre que, a despeito de sua aparência incomum, Merrick é um ser humano sensível, inteligente e gentil. Teve oito indicações ao Oscar, quatro ao Globo de Ouro e sete ao BAFTA.
Rain Man (1988): Neste filme, um rapaz (Tom Cruise) viaja a asilo e descobre que tem um irmão autista (Dustin Hoffman) para quem o pai deixou toda sua fortuna. Resolve então 'raptar' o irmão para tentar forçar um 'acordo' financeiro com os tutores do irmão, porém em sua viagem de volta, passa a conhecer as dificuldades e os 'dons' do irmão e surge um sentimento de amor e carinho. Vencedor de quatro Oscars.
Melhor é Impossível (1997): é o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), que aflige o personagem de Jack Nicholson. Pouco a pouco, o neurótico sente-se desafiado a mudar seu comportamento francamente agressivo para poder conviver com as pessoas. Levou dois Oscars.
Uma Mente Brilhante (2001): A história real de John Nash (Russell Crowe), um matemático ganhador do Prêmio Nobel que sofre o drama da esquizofrenia. Foi ganhador de quatro Oscars.
O Escafandro e a Borboleta (2008). Trata-se da história de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que tem um acidente vascular e fica paralítico, vítima de uma síndrome chamada “locked-in”, em que o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. A partir de então, Bauby tem de aprender a conviver naquele estado.Levou dois Globo de Ouro (melhor filme estrangeiro e melhor direção), melhor direção e o Grande Prêmio Técnico no Festival de cinema de Cannes e ainda recebeu quatro indicações ao Oscar.
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