Cinema, aspirinas e urubus, realidade brasileira ?

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Dérek Sthéfano · Teresina, PI
19/6/2011 · 0 · 0
 

No Inicio dos anos 40, em meio a segunda grande guerra, dois homens com historias de vida totalmente diferentes, se encontram no sertão do nordeste. Um, alemão que fugiu de seu país, num navio, com medo de morrer na guerra, e começa a trabalhar para a fábrica de aspirinas viajando por todo o Brasil, vendendo e propagandeando os comprimidos com uma maquina de retroprojeção. O outro, um brasileiro que quer escapar da seca que assola sua terra e, vê na oportunidade de trabalhar com o alemão sua chance de viver na capital. Um europeu que vê o Brasil com otimismo, e um nordestino desencantado com sua terra.

A historia traz à tona algumas discussões que, ainda hoje, são vivenciadas plenamente por grande parte da população brasileira. A miséria, a seca, as contradições sociais, o sonho de uma vida melhor... a dura realidade de um povo exposto unicamente a interesses comerciais.

Sabemos que o Brasil, ao contrario do que muita gente propaga, ainda é um país com muita contradição social. Assim, enquanto muitos gozam de seu prestigio com o governo, recebendo apoio nas horas que precisam, a grande maioria da população vive socialmente isolada, sem condições de nem mesmo sobreviver com dignidade.

Este povo alem de “esquecido†é constantemente convencido de ser inferior perante a sociedade, as suas condições desumanas de sobrevivências o torna inferior, a região em que vive o torna inferior, a sua cor de pele o torna inferior, o seu “sotaque†o torna inferior, a sua falta de educação o torna inferior etc. Diante desta situação, e a realidade cheia de carências em que vivem, o longa mostra uma espécie de autonegação do sertanejo, através do personagem Ronulpho, que considera a sua região um “fim de mundoâ€, pois a vê longe da realidade desejada. Com isso, muitos nordestinos vislumbrariam o dia em que poderão ter uma boa vida na “cidade grandeâ€.

Esta realidade foi demonstrada no crescimento histórico brasileiro, no qual as grandes metrópoles receberam milhares de pessoas das regiões mais pobres do país. Os trabalhadores se sentiam instigados e obrigados a encarar as dificuldades, na esperança de superar a situação de exclusão em que viviam.

No filme, a população sertaneja abandonada, esquecida pelos governos, é lembrada apenas por interesses comerciais da Aspirina, empresa que promete comprimidos “milagrososâ€, capazes até de acabar com o sofrimento. O método utilizado pela Aspirinas para apresentar o comprimido à população foi a retroprojeção, o cinema, algo tão inovador para aquelas pessoas que era impossível estar enganado. O comprimido realmente era “milagrosoâ€.

Na atualidade, ainda é alimentado no imaginário de grande parte da população a idéia de que a mídia é imparcial, neutra, nos traz sempre a verdade, nada mais que isso. Enquanto presenciamos, cada vez mais, os interesses comerciais das empresas jornalísticas influenciarem nos fatos que serão veiculados e, com que versão chagaram ao público.

Além disso, a publicidade, que no filme foi utilizada por meio do cinema, hoje é veiculada em todos os meios de propagação possíveis, sendo constantemente direcionada ao publico infantil, ainda sem o discernimento necessário para analisar a mensagem. E, sem precauções quanto ao efeito que a veiculação destes valores podem causar em crianças sem condições econômicas e, ou, sociais para comprar tal “idéiaâ€.

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