Cultura viva no Palácio Capanema

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Palácio Capanema, lugar do encontro dos Pontos de Cultura do RJ.
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Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ
17/10/2008 · 101 · 1
 

Qualquer um encontra o Palácio Capanema, tamanha é sua imponência no Centro da Cidade do Rio. Então nada melhor do que juntar por lá pessoas que estão buscando um caminho - o local é fácil de achar no horizonte. Às 10h de sábado, dia 11, uma gama de gente se reuniu naquele lugar cheio de história para debater o futuro dos Pontos de Cultura da cidade. Era uma forma de a rede de Pontos encontrar uma posição mais definida, uma tentativa de união em meio à diversidade de centros que tratam da cultura do país. Após o "carnaval" de sexta-feira, em que cada Ponto cantou e dançou para o outro o melhor que faz, no sábado foi hora de conversar e debater.

Nessa conversa, Adair Rocha, representante do MinC, abriu a plenária inicial falando justamente da importância de o evento estar sendo realizado naquele local, fruto de tanta história e marco de um momento importante do país. Segundo Adair, o prédio, "um ícone da humanidade", foi lugar de resistência à ditadura militar e o convite para o evento ser ali era sim uma provocação: "Desafiamos vocês a ocuparem cada vez mais os espaços públicos, eles são de todos".

Logo depois, Marcos André, representante da Secretaria Estadual de Cultura do RJ, contou sobre o novo edital que está por vir para Pontos de Cultura e mostrou a disposição do Governo do Estado em auxiliar àqueles que não sabem, ao certo, como trabalhar um projeto: "Temos uma seção na Secretaria apenas para isso e será um prazer ajudar quem não souber direito participar de um edital. Queremos auxiliar esses pequenos lugares a se tornar Ponto de Cultura".

Depois do café da manhã, três grupos de discussão foram formados para conversar sobre os "Marcos Legais da Cultura", o "Fortalecimento da Rede de Pontos" e a "Sustentabilidade" dos locais. Fiquei no segundo grupo, para onde a maior parte dos representantes dos Pontos se dirigiu. Embora a conversa tenha também rumado em direção à "união" dos Pontos – da busca de um discurso comum entre eles – falou-se muito de como será depois de 2010, quando existe a possibilidade de o país ter uma outra diretriz política. Ou seja, falou-se muito em sustentabilidade. Como fazer para se manter diante de uma possível mudança na administração da cultura no Brasil? Não foi dada exatamente uma resposta, mas o caminho, segundo os representantes dos Pontos, parece ser a união e a integração desses centros culturais, naquilo que foi definido como "tripé": sustentabilidade, estrutura e horizontalidade. O último tópico gerou dúvidas e precisou ser explicado com mais clareza. Horizontalidade quer dizer que cada um deve conhecer o trabalho do outro, saber o que o outro está fazendo, saber o que de melhor se pode aproveitar de um diálogo mais próximo. Assim, foi discutido como usar com mais eficiência a internet para se integrar. Não faltou quem apoiasse a idéia de uma "visita de mão dupla" entre os Pontos, em que um conheceria melhor o trabalho do outro e, assim, seria possível trocar impressões comuns.

Discutiu-se também a possibilidade de centralizar a administração dos Pontos de Cultura em uma sede física, naquilo que seria um novo Ponto de Cultura. Tradução: uma "secretaria" seria criada com o único intuito de administrar essa teia e, por ter essa função, concorreria ao título de Ponto de Cultura. A idéia foi mais criticada do que elogiada na roda, já que a maioria mostrou aversão à sugestão de burocratizar o que parece ser o mais bacana dos Pontos – a independência e a autonomia de cada espaço. Portanto, "secretaria", "representante", "líder" tornaram-se palavras proibidas por ali. Organizar-se sim, isso era necessário, mas sem nenhuma ambição sindical.

No fim, uma nova plenária onde todas as idéias foram postas na mesa. O objetivo era costurar uma proposta para apresentar no encontro nacional dos Pontos de Cultura (Teia), em Brasília. Num espaço tão moderno quanto o Palácio Capanema, a busca por sugestões originais para um projeto tão inovador quanto os Pontos de Cultura foi intensa. Pelo visto, a conversa continua no Distrito Federal.

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Cintia Thome
 

Interessante essa proposta de centralização Thiago, entrelaçando propostas, objetivos e trabalhos. Voce estará
no encontro em novembro?
Boa informação.

Cintia Thome · São Paulo, SP 17/10/2008 08:18
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