Das rasas pesquisas de um novo jornalismo

Higor Assis
Um novo jornalismo é possível ?
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Higor Assis · São Paulo, SP
27/8/2009 · 2 · 0
 


Onde estão as grandes reportagens ?


A cada dia que passa nos deparamos com furos jornalísticos e/ou imediatismos de notícias que são transmitidas; seja pela internet, pelo rádio, pelo 'antigo' jornal de papel, ou seja pelos torpedos dos celulares desta atual geração. A popularidade por tal oportunidade de saber de tudo primeiro, mesmo que de forma menos ampla no sentido de conhecimento do fato, já motiva tanto os veículos de comunicação, quanto aos leitores, telespectadores e internautas. Neste caso, ser o primeiro é tudo!

Todo este emaranhado de argumentos, para colocar a manchete antes, se deve a concorrência que as empresas de comunicação têm pelo chamado - jornalismo em tempo real. Sendo em primeira estância com os Blog's e agora os Microblog's.

Mantendo a pauta no jornalismo online, essa democratização de mídia independente veem lhe causando de certa forma, um desconforto e uma decadência em determinados avanços conquistados no campo do conhecimento da informação e da própria notícia. O mantenedor do 'conhecimento' em dias atuais - a internet -, a cada dia amplia a concorrência dos encorpados sítios de comunicação com novos concorrentes. Estes creditam em pequenas linhas (no mais rápido possível) rasas notas sobre os fatos. Logo, com pequenas frases encorporam o noticiário.

A notícia é cada vez menor, compacta e vem com uma poderosa certeza - de que a melhor forma de ganhar essa batalha sobre a nova democracia da informação é ser o primeiro. Porém, tal entendimento pode ter a errata em tanta nobreza.


Uma evolução não entendida


A história do Jornalismo está diretamente ligada ao desenvolvimento de novas tecnologias e do uso delas no cotidiano. Desde a substituição das linotipos por máquinas off-set e, depois, das máquinas de escrever por computadores o cotidiano dos jornalistas tem mudado nas redações, bem como as características infra-estruturais dos locais de trabalho, Maria José Baldessar.

De tanto o mundo não se preparar para essa evolução ou acreditar que estava pronto, todos nós acabamos sendo afetados, quando digo todos nós, digo em razão pela queda nítida da qualidade da informação. Toda essa forma de como a mídia transcreve em suas redações sem ter a preocupação de idealizar as anotações necessárias.

Toda evolução midiática e tecnológica deveria ser para o aperfeiçoamento de trabalhos mais consistentes e tirar a complexidade que os primeiros escritores tiveram. Porém, atualmente não é o que estamos lendo nas linhas de jornais online ou até mesmo assistindo em reportagens com a chamada internet 2.0.


As maiores transformações estão aqui


A área de comunicação é a que mais sofreu e/ou ganhou mudanças com a tecnologia e, neste caso, os exemplos são gritantes. Segundo Luiz Carlos Neitzel, Mestre em Mídia e Conhecimento, ele em sua dissertação de mestrado contempla essas mudanças na seguinte posição:

Debruçado sobre seus projetos, o homem avança e transforma o presente e o futuro, num constante processo evolutivo, sem que haja a simples substituição de uma técnica por outra, mas um deslocamento de centros de gravidade. (…) O jornal, conhecido inicialmente como folhetim, surgiu como veículo de transmissão de informações diárias. Ele era inicialmente lido em voz alta por um letrado. (…) Com a evolução dos meios de comunicação mediáticos, no final do século XX, ocorre o agrupamento de todas as tecnologias anteriores. Surge uma tecnologia mais eficaz, que oferece todas as possibilidades já exploradas na imprensa, no rádio, na televisão, operando uma ultrapassagem: a possibilidade de interação e a velocidade com que tudo ocorre. O indivíduo não fica somente no papel de receptor passivo, há a possibilidade de escolha, há decisões a serem tomadas. O volume de informações emitidas é maior, bem como a rapidez com que chegam aos lares, oportunizando-se situações que as tecnologias anteriores não possibilitavam.

Neste caso o autor demonstra bem o que esta acontecendo. A informação chega a todo instante e para produzir um trabalho com melhor qualidade é necessário de tempo, investimento financeiro e melhor apuração dos fatos. No entanto, o que essas agências menos querem é colocar essa condição em prática. Todo esse conglomerado de avanços tecnológicos fizeram com que essas empresas tivessem de mudar sua forma de transmitir a notícia, sendo assim, abrindo precedente para um jornalismo menos apurado.


O jogo de interesse


Os contratos publicitários destas empresas, os entre-lances políticos partidários causam a monotonia e inclusão das mesmas notícias, dos mesmos assuntos e por vez, das mesmas características nas linhas jornalísticas e televisivas.

O interesse da mídia para noticiar o que convém aos seus mantenedores fica tão claro, que basta pegarmos qualquer jornal de grande circulação e acompanharmos ele durante um mês para ter um embasamento melhor sobre o fato. As mesas de discussões sobre redes de comunicação estão exaustas para debater este jogo político que a própria população finge e/ou não quer saber.
Há bons trabalhos também e excelentes trabalhadores, porém existe muito o que se fazer...


Uma possível solução ?


Este todo advento da tecnologia trouxe por outro lado a oportunidade de encontrarmos novos rumos para este tipo de jornalismo mais aprofundado. Talvez estes pequenos concorrentes possam fazer o trabalho que as grandes empresas midiáticas não os fazem. Um trabalho de campo mais nítido, com a proeza de convencer pela pesquisa e não pela introdução de argumentos rasos.

Canais novos estão aparecendo a cada dia e novos valores sendo descobertos. A revolução esta em nossas mãos e cabe a nós mesmos - novos comunicólogos (jogados por natureza)- em introduzir este conteúdo para as pessoas que infelizmente não tem o discernimento para entender os fatos. Uma nova ética na comunicação ainda é possível, cabe a você entender!

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