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Ensaio sobre a seqüela

Frederico Moinho
a cena do crime... ou melhor, o cenário.
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Frederico Moinho · Rio de Janeiro, RJ
5/5/2007 · 107 · 1
 

O que é a seqüela? Seria a ausência de comunicação no cérebro para localizar uma informação? A falta de sinapses suficientes no córtex para que acionemos o que desejamos na hora solicitada? Como não sou doutor e Internet não é faculdade de Medicina, prefiro não arriscar cientificamente.
Na prática, por sua vez, me considero uma autoridade máxima. Frases como “Onde está minha chave?” viraram até comunidade de site de relacionamento. Pudera. Que palavra escrota: “pudera”.. Não sei porque lembro dessas palavras e não de outras mais interessantes como: ‘argonauta’, ou ‘bucéfalo´que remete a.. Mas de que estávamos falando mesmo?... ... ... ... AH! Sim! Seqüela! Algo que a gente não lembra nem porque estava falando sobre...
Então voltemos a prática. Ou a praticá-la como inevitavelmente acabo fazendo. Já que podemos avaliar por nós mesmos as causas do esquecimento, coloquemos as motivações para tal. Provavelmente ao gerar uma pressão diretamente relacionada com o prazo em que você deveria voltar a ter o objeto perdido em suas mãos, um estresse é causado e a ‘geringonça’ (“lá vem outra palavra idiota”) toda emperra. Fica travando em loop, se é que me faço entender.
Como que uma ironia da situação toda, quanto maior a necessidade que se sente do que perdeu, mais complexo fica para encontrá-lo. Foi assim com minha carteira, que não continha dinheiro algum dentro, mas sim minha carteira de motorista, do plano de saúde, o cartão de banco e de crédito, uma foto do meu pai, e um telefone anotado num papel de bar. Que é bom ressaltar, nada comprometedor.
Mas eu tava falando tudo isso por quê mesmo? Não, não estou brincando, vou ter que retroceder alguns parágrafos pra ‘repescar’ o fio da meada... Só um momento por favor.. Ah! É! Claro! Sobre a minha carteira perdida pela segunda vez em mais ou menos dois meses de diferença. Assim como as idéias na cabeça, na verdade “semi-idéias”, que só serão possíveis uma vez que forem imediatamente anotadas.
Da primeira vez, por descuido. Caiu do meu bolso quando saía do banco. Que sorte né não?! Mas da segunda, ou a mais recente (claro que não foi a segunda vez na minha vida que perdi a carteira ou outro objeto de valor), depois de eu ter cancelado todos os cartões e revirado todos os ambientes que freqüento; além de ter ligado para alguns estabelecimentos que estive no último fim-de-semana, fui dormir com a cabeça esgotada de tanto tentar aquela velha tática de entrar numa máquina do tempo mental e fazer o caminho contrário pra buscar possíveis locais da perda.
Finalmente, ao acordar bem cedo na manhã seguinte, com a mente límpida (se é que isso é possível), um insert mental me jogou a imagem da minha mão depositando a carteira dentro do meu tênis antes de fazer uma viagem. Uma precavida atitude que tomei justamente para não perder a carteira...

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Ciço Pereira
 

qualquer coincidência não é mera ficção...

Ciço Pereira · Rio de Janeiro, RJ 3/5/2007 17:46
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