Coisas que só acontecem na escola
A Escola resolveu fazer um festival para celebrar o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, ocasião em que seriam realizados desfiles, apresentações de dança e músicas, tudo muito ÉTNICO. Um professor em módulo (entenda: "substituto", "tapa-buracos") foi “escolhido†para organizar o evento em virtude de sua “disponibilidade†(?!!!!). Este professor deveria passar nas salas, fazer a eleição do CASAL BELEZA NEGRA e anotar os nomes dos participantes dos grupos de dança, entre outros.
Uma vez que o referido professor em módulo, obrigatoriamente, deveria substituir diversas aulas, haja vista a ausência dos professores regentes, resolveu iniciar, o quanto antes, a tarefa que lhe designaram. Entrou na 5ª A e os alunos, que pensavam que teriam aula vaga ou que seriam liberados, muito a contra-gosto, se acomodaram a fim de realizarem a escolha do CASAL BELEZA NEGRA. De cara, Chiquinha*, uma loirinha que fora eleita Miss Primavera, candidatou-se sob protestos gerais:
- Professor, ela não é negra!
O professor olha para a aluna e lhe diz:
- É mesmo, Chiquinha, seria interessante que somente meninas afro-descendentes participassem†- (como um raio, passou-lhe pela cabeça que estava discriminando a aluna mas...).
- Professor, o que é afro-descendente? - pergunta Joãozinho.
- São aqueles que descendem daqueles que foram trazidos como escravos do continente Africano - (o professor lembrou-se da sua professora de Filologia, uma egÃpcia translúcida de tão branca, “Ela também é afro-descendenteâ€.
- Professor, o que é continente? de novo, o Joãozinho.
- Pergunta pro seu professor de Geografia ("Afinal, os conteúdos devem ser trabalhados de modo interdisciplinar") - Vamos lá gente, vamos terminar logo isso aqui...
- Mas o professor de Geografia sumiu, professor, como é que nós vai perguntar pra ele? – (Joãozinho é um aluno copista, iletrado, indisciplinado e inconveniente).
O professor lembrou do colega de Geografia que está de licença médica por esgotamento nervoso e pensou: "É o fim da interdisciplinaridade"!
- Professor, a gente vai poder dançar Black e Funk? – Joaninha*, tirou-o dos seus devaneios.
- Não, minha filha, vocês só poderão dançar música étnica, música afro. Se vocês quiserem, a professora de Educação ArtÃstica pode ensinar alguns passos de dança de Orixás.
- Mas professor, lá na minha igreja, o Pastor falou que isso aà é coisa do demônio.
A sala ri e se agita ainda mais. Joãozinho (sempre ele) finge que está “recebendo um santoâ€. Mais agitação e gritaria. O professor ainda tenta acalmar os ânimos, mas o sinal toca anunciando o final da aula, para alÃvio de todos.
* Os nomes foram trocados. Esta é uma (H) história fictÃcia. Qualquer semelhança com a realidade, será mera verossimilhança.
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