Lixo especial precisa ser descartado corretamente

Foto: Alex Steiner/ Flickr: http://www.flickr.com/people/steineralex/
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ElianaPatríciaStumpf · Porto Alegre, RS
18/4/2011 · 0 · 0
 

O descarte adequado, ou mesmo a reciclagem, de boa parte do lixo produzido pelos indivíduos é um tema constante na sociedade atual. Alguns tipos de materiais carecem de uma preocupação que vai um pouco além desses pontos. É o caso de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes, material não passível de ser jogado fora junto dos resíduos domésticos. No entanto, como dar a devida destinação a eles é uma pergunta pouco respondida.

A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, prevê que, no Brasil, a responsabilidade sobre os itens usados recai sobre a indústria fabricante, visto que o Estado não pode se ocupar de objetos não inseridos no lixo domiciliar. Porém, para que o ciclo dos produtos classificados como resíduos sólidos seja completado, desde a produção, passando pela comercialização e até chegar à última parada do entulho restante, é preciso que o consumidor faça a sua parte.

Para se ter uma ideia da quantidade de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes que deixam de ser retornadas às indústrias de origem, toma-se como exemplo a experiência de um estabelecimento de médio porte, situado na capital gaúcha. Danilo Tiziani, 60 anos, dono do supermercado Santa Rita, instalado no bairro Espírito Santo, ilustra o que acontece na prática. “Nessa loja são vendidas, por ano, cerca de 10 mil pilhas, 100 baterias e 6 mil lâmpadas, sendo que, aproximadamente, 10% desse total é trazido pela população até a caixa coletora da empresa rio-grandense de serviços”, comenta Tiziani. Para ele, também representante da Agas (Associação Gaúcha dos Supermercados) em Porto Alegre, existe pouca divulgação nos pontos de venda quanto ao que deve ser feito pelo consumidor.

O coordenador de comunicação da Agas, Francisco Brust, 26 anos, esclarece que a Instituição não realiza pesquisas para quantificar o índice de devolução, mas sabe que os números são praticamente irrisórios. “Há ações pontuais pelo Estado, a critério do marketing de cada empresa. Institucionalmente, o que a Agas faz é cobrar do governo e da indústria programas de destinação destes resíduos sólidos, já que reconhecemos o papel do supermercadista em receber do consumidor as pilhas e baterias usadas”, pontua Brust. Na opinião dele, ainda que houvesse um maior recolhimento do material, existe uma grande questão por trás do tema. “Atualmente, os resíduos muitas vezes vão para empresas que providenciam a coleta e a separação correta, mas cobram para isso”, aponta o jornalista.

O lixo recolhido em Porto Alegre vai para o Aterro de Minas do Leão, localizado a 80 quilômetros da capital e de caráter privado. Ao DMLU, Departamento Municipal de Limpeza Urbana, não compete a responsabilidade pelo “lixo especial”, e até por isso é difícil mensurar o quanto ele representa dentro do um milhão de toneladas recolhidas todos os dias. “Do total, cerca de 5% chega a passar por uma triagem ou compostagem. Desses números, 0,05% são de pilhas e 0,01% de lâmpadas fluorescentes”, frisa Eduardo Fleck, 43 anos, engenheiro químico do órgão. Metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio, encontrado principalmente nas lâmpadas fluorescentes, são lançados na natureza por meio da degradação dos produtos. Em meio a essa qualificação, Fleck ainda lista o perigo dos medicamentos vencidos e dos resíduos de informática, mas derruba alguns equívocos. “Esse tipo de material oferece vários riscos, menos os de contaminação por radiação e radioatividade, isso é mito”, explica o funcionário do DMLU.

Paulo Robinson Samuel, 50 anos, membro da equipe de Engenharia da Gestão Ambiental na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e coordenador da Câmara Técnica de Resíduos Sólidos da Abes-RS (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), destaca a importância de educar a população sobre o assunto. “Aqui, como nós não temos problemas com a disponibilidade dos recursos hídricos, os metais liberados por este tipo de lixo acabam se diluindo nas águas, mas o fator cumulativo desse lançamento pode ocasionar problemas à saúde humana e ao meio ambiente”, alerta ele sobre a questão. Os dejetos químicos resultantes destes metais, com o passar do tempo, podem acarretar tanto num desequilíbrio ambiental como provocar doenças nos indivíduos, por exemplo, as ligadas a alterações genéticas e do sistema nervoso.

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