O frevo de Ariano parte 1

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stellio · Campina Grande, PB
18/5/2006 · 70 · 0
 

Carnaval de Pernambuco firma-se
como manifestação popular em meio à
elitização da festa no resto do país

Definir o carnaval como a maior festa popular do mundo é irreal e impreciso, ao mesmo tempo que um lugar-comum. Os quatro dias de absoluta liberdade não se resumem mais a quatro, nem tampouco pode ser caracterizado como absoluto em muitos aspectos, particularmente no que concerne a festa popular.
O Rio de Janeiro do samba, e mais recentemente a São Paulo do mesmo ritmo, elitizou o desfile das escolas de samba transformando numa festa para bem poucos, que pagam ingressos e, sentados “organizadamenteâ€, limitam-se a torcer por sua agremiação predileta, que desfila reluzente na avenida.
Aos mais afortunados resta o consolo da dança cronometrada numa das alas dos grêmios recreativos, vestidos numa fantasia cara e com tempo bem curto, e determinado, para o fim de seu carnaval, contrariando Paulinho da Viola, que diz em sua música: “há muito tempo eu ouço esse papo furado/ dizendo que o samba acabou/ só se for quando o dia clareouâ€. No desfile das escolas, o samba acaba bem cedo, minutos após ser acionado o cronômetro.
Seja a globalização, o neoliberalismo ou a pós-modernidade, o culpado ainda não houve quem encontrasse, e isso parece sem maior importância. Mas o fato concreto é que o Brasil parece ter privatizado o carnaval. De uma forma geral, as capitais dos estados têm, todas, a sua apoteose do samba, onde grupos cada vez menos identificados com a cultura local tentam reproduzir a tradição carioca, esquecendo-se que no Rio de Janeiro a escola, o samba e o desfile estão na alma das pessoas – e no pé do sambista, é bem verdade.
A Bahia, que por seu processo de colonização com forte influência da cultura africana merecia uma festa com características mais populares, inverteu o sentido do trio elétrico, pondo cordas no meio da multidão e vendendo abadas que ultrapassam R$ 1mil reais.
O forte componente popular do axé foi deturpado, e vulgarizado pela atividade comercial dos blocos. As emissoras de TV, capitaneadas pela rede Globo de Televisão, pouco destacou os afoxés ou as manifestações religiosas, tão emblemáticas na comemoração baiana.
A notícia que interessa tem que se relacionar com trios, blocos e camarotes, estes últimos, templos da soberba em que o ministro concorre com a cervejaria na expectativa de reunir o maior número de estrelas do show business, astros de rock ou artistas globais, que hoje trocam o carnaval carioca pelo baiano, adotando uma paixão, “desde criancinhaâ€, pelos ritmos percussivos do axé, em detrimento da batida do morro.
De tão promissora financeiramente, a cultura do axé despistou fronteiras e é, hoje, presença garantida nas maiores, e nas menores também, cidades do país. As micaretas “profissionalizaram†o carnaval da Bahia, garantindo renda às bandas em todos os meses do ano.
As montanhas do axé vão atrás dos maomés, estejam eles em Brasília, São Paulo, Esperança ou Feira de Santana.

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