Carnaval de Pernambuco firma-se
como manifestação popular em meio Ã
elitização da festa no resto do paÃs
Definir o carnaval como a maior festa popular do mundo é irreal e impreciso, ao mesmo tempo que um lugar-comum. Os quatro dias de absoluta liberdade não se resumem mais a quatro, nem tampouco pode ser caracterizado como absoluto em muitos aspectos, particularmente no que concerne a festa popular.
O Rio de Janeiro do samba, e mais recentemente a São Paulo do mesmo ritmo, elitizou o desfile das escolas de samba transformando numa festa para bem poucos, que pagam ingressos e, sentados “organizadamenteâ€, limitam-se a torcer por sua agremiação predileta, que desfila reluzente na avenida.
Aos mais afortunados resta o consolo da dança cronometrada numa das alas dos grêmios recreativos, vestidos numa fantasia cara e com tempo bem curto, e determinado, para o fim de seu carnaval, contrariando Paulinho da Viola, que diz em sua música: “há muito tempo eu ouço esse papo furado/ dizendo que o samba acabou/ só se for quando o dia clareouâ€. No desfile das escolas, o samba acaba bem cedo, minutos após ser acionado o cronômetro.
Seja a globalização, o neoliberalismo ou a pós-modernidade, o culpado ainda não houve quem encontrasse, e isso parece sem maior importância. Mas o fato concreto é que o Brasil parece ter privatizado o carnaval. De uma forma geral, as capitais dos estados têm, todas, a sua apoteose do samba, onde grupos cada vez menos identificados com a cultura local tentam reproduzir a tradição carioca, esquecendo-se que no Rio de Janeiro a escola, o samba e o desfile estão na alma das pessoas – e no pé do sambista, é bem verdade.
A Bahia, que por seu processo de colonização com forte influência da cultura africana merecia uma festa com caracterÃsticas mais populares, inverteu o sentido do trio elétrico, pondo cordas no meio da multidão e vendendo abadas que ultrapassam R$ 1mil reais.
O forte componente popular do axé foi deturpado, e vulgarizado pela atividade comercial dos blocos. As emissoras de TV, capitaneadas pela rede Globo de Televisão, pouco destacou os afoxés ou as manifestações religiosas, tão emblemáticas na comemoração baiana.
A notÃcia que interessa tem que se relacionar com trios, blocos e camarotes, estes últimos, templos da soberba em que o ministro concorre com a cervejaria na expectativa de reunir o maior número de estrelas do show business, astros de rock ou artistas globais, que hoje trocam o carnaval carioca pelo baiano, adotando uma paixão, “desde criancinhaâ€, pelos ritmos percussivos do axé, em detrimento da batida do morro.
De tão promissora financeiramente, a cultura do axé despistou fronteiras e é, hoje, presença garantida nas maiores, e nas menores também, cidades do paÃs. As micaretas “profissionalizaram†o carnaval da Bahia, garantindo renda à s bandas em todos os meses do ano.
As montanhas do axé vão atrás dos maomés, estejam eles em BrasÃlia, São Paulo, Esperança ou Feira de Santana.
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